Saturday, November 21, 2009

Momento: a duas vozes (Parte I)

ELE

"Sábado á noite e eu sem vontade de sair. Um misto de sentimentos se apodera de mim, se por um lado não quero ficar em casa, pois receio a solidão mais que tudo, não me sinto minimamente motivado para sair com os amigos. Após alguma insistência da parte deles, acedi em ir, não sem antes os avisar que não seria uma saída com regresso muito tardio, que precisava descansar. "Estás a ficar velho!" disseram - me, sim talvez esteja mesmo a sentir o peso da idade. Fomos ao café do costume, encontrar as pessoas do costume. Sentei me a um canto, sem vontade de participar nas conversas, meu olhar sempre percorrendo a porta á espera nem eu sei muito bem de quê. Estava tão embrenhado nos meus próprios pensamentos que nem me apercebi que estavam a combinar uma saída para dançar. Recusei. "Eu não vou! Vou para casa!" mal pronunciei estas palavras, começou a cobrança do costume, o ter que dizer porque não me apetecia minimamente ir dançar. Acabei por concordar em ir, teimando em levar meu carro pois não queria ficar dependente de ninguém na hora de voltar. Não pretendia ficar muito tempo, o suficiente para não ter que ouvir as "bocas" deles.

Chegamos ao local, como todos os sábados, completamente cheio. Procuramos um lugar para nos sentarmos. Sentia me impaciente. Decidi ir ao bar buscar algo para beber. Enquanto esperava para ser atendido, percorri com o olhar a pista de dança, onde casais dançavam ao som das músicas latinas. Observei as expressões, os gestos, incrível como a paixão pela dança une as pessoas. Meu olhar então pousou nuns lindos olhos castanhos que me olhavam de volta. Olhei para o lado, não estaria com certeza a olhar para mim, mas não estava mais ninguém a olhar para a pista. Fiquei preso naquele olhar. Ela dançava, kisomba penso eu na altura, ou seria bachata? Não me lembro, só me lembro do seu olhar, da forma como dava gargalhadas quando o seu interlocutor lhe suspirava palavras ao ouvido. Era bonita, era linda. Mas o que me cativou foi aquele olhar profundo e o sorriso rasgado. Senti me incomodado, senti me diferente. Voltei ao meu lugar, sentindo que algo acabara de mudar em mim. Pensamento estranho esse, nem a conhecia, o fulano com quem dançava seria provavelmente o namorado. Em que estaria eu a pensar?
Meu olhar procurou-a novamente na pista. Não a vi. Um sentimento de desilusão se apoderou de mim. Levantei me. Sentei me. Olhei novamente em volta... teria sido imaginação minha? Continuava escrutinando o cenário, tentando descobrir sinais de um rosto que agora me era familiar. Não a vi. Vi sim seu companheiro abraçado a uma outra rapariga, suspirei aliviado quando trocou caricias com a mesma. Então não eram namorados. Fiquei contente. Mas onde estaria ela?
Levantei me, nervoso, ansioso. Voltei a observar atentamente os rostos á procura daquele que me seria agora tão familiar. Meus olhos voltaram a encontrar os dela. Sorri. Ela sorriu de volta, um sorriso lindo que iluminava toda a sua tez. Enchi me de coragem. Atravessei a sala, hesitante, a medo, possivelmente iria levar com um "não" , mas tinha que tentar. Tinha que ouvir a sua voz. Cheguei ao seu lado, ela ainda sorriu mais. "Olá" disse me timidamente. "Olá" respondi eu. Sentia me nervoso, como se fosse um adolescente, o meu coração batendo mais forte. "Queres dançar?" perguntei lhe. "Sim quero!" respondeu me. Peguei lhe pela mão. Conduzi-a á pista de dança. Esperamos que terminasse a música que estava a tocar e outra começasse. Bachata. Nunca fui muito fã de bachata. Mas ela disse me: "Bachata. A minha dança preferida!" sorri não lhe disse que não gostava. Desde que ela gostasse dançaria tudo o que ela pedisse. Dançamos. Senti seu perfume, senti seu corpo próximo do meu. Ela sorria, de perto seu sorriso ainda era mais bonito, mais perfeito. Para mim foi um momento mágico, foram os melhores minutos da noite. A dança terminou e a muito custo a larguei. MInha mão ainda segurando a sua.... "Dás me o teu número de telefone?" perguntei espantado com o meu próprio atravimento. "Para que queres meu número?" perguntou ela. "Para voltar a dançar contigo." respondi. Ela deu uma gargalhada, para minha surpresa deu me um beijo na cara. "Tudo a seu tempo, se me quiseres ver novamente, saberás o que fazer". Dito isto largou minha mão e desapareceu no meio da multidão.

autoria: lcarmo

3 comments:

Abelha Charlatona said...

quando publicares o livro vou ser a tua fã numero 1!

adorei, nao sei como tens paciencia e imaginação para escrever tanto, parabens querida :)

Abelha Charlatona said...

quando publicares o livro vou ser a tua fã numero 1!

adorei, nao sei como tens paciencia e imaginação para escrever tanto, parabens querida :)

Maria said...

Muito bem.
Escrevo-te um mail sobre umas coisas.

Beijinho